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Alemanha: partido de extrema direita tem vitória estadual histórica

Última atualização: setembro 7, 2026 10:58 am
8 Min Leitura
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Alemanha: partido de extrema direita tem vitória estadual histórica

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou o primeiro lugar nas eleições estaduais na Saxônia-Anhalt nesse domingo (6), segundo pesquisas de boca de urna, colocando um partido de extrema direita à beira de assumir o poder em nível estadual pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

Contents
Revés para MerzLinha dura em relação à migração

Embora não tenha alcançado a maioria absoluta, a AfD obteve 44% dos votos e desferiu uma derrota esmagadora aos conservadores do chanceler Friedrich Merz, refletindo a profunda impopularidade da coalizão governista da Alemanha em cenário político fragmentado.

A AfD já é o partido mais popular da Alemanha em nível nacional e busca garantir uma base para levar adiante sua agenda, que inclui fortes restrições à imigração, o restabelecimento das relações com a Rússia, o corte do apoio à Ucrânia e a saída do euro.

À medida que a contagem continuava, ainda não estava claro se a AfD conseguiria formar um governo, mas o significado político mais amplo da eleição era evidente; segundo a emissora ZDF, a participação eleitoral foi elevada, chegando a 77%.

“Fizemos história neste país”, disse Ulrich Siegmund, de 35 anos, candidato-líder da AfD na Saxônia-Anhalt, que atraiu milhares de pessoas aos seus comícios de campanha e que repetidamente apresentou a vitória no estado como primeiro passo para garantir o poder nacional nas eleições federais previstas para 2029.

“O povo deixou absolutamente claro que finalmente quer uma mudança política e, acima de tudo, mostrou que quer isso conosco”, disse Siegmund.

Quando as primeiras pesquisas de boca de urna foram divulgadas, ele estava de braços dados com os dois líderes nacionais de seu partido, que riam alegremente à medida que a magnitude da vitória se tornava evidente. Comemorações eufóricas eclodiram na reunião eleitoral do partido na cidade de Magdeburg, onde as pessoas agitavam bandeiras alemãs e se abraçavam em sinal de triunfo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, postou uma captura de tela do resultado sem comentários em seu site Truth Social, enquanto líderes de extrema direita em outros países europeus comemoraram a eleição como um mandato para a mudança.

Revés para Merz

O resultado representa um revés significativo para Merz, cujo índice de aprovação pessoal caiu para níveis historicamente baixos, à medida que os eleitores se afastam tanto de suas reformas planejadas para reanimar a economia estagnada da Alemanha, quanto de seu estilo de comunicação pessoal, propenso a gafes.

Uma pesquisa da emissora ARD mostrou que 87% dos eleitores do estado estavam insatisfeitos com o governo federal. Siegmund descreveu Merz como o melhor candidato da AfD, dada sua impopularidade no estado.

“Este resultado eleitoral é, acima de tudo, um voto de desconfiança no governo federal”, disse Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, à Reuters.

Merz prometeu revitalizar a maior economia da Europa com reformas favoráveis às empresas e aumento dos gastos, ao mesmo tempo em que alertou que uma vitória da AfD na Saxônia-Anhalt prejudicaria o estado e dissuadiria empresas estrangeiras de investir na região.

Todos os principais partidos da Alemanha se recusaram a colaborar com a AfD, que foi classificada como extremista de direita pelo escritório local do serviço de inteligência interna da Alemanha.

Uma exceção é o pequeno partido Aliança de Sahra Wagenknecht (BSW), que parecia prestes a ultrapassar o limite mínimo para entrar no Parlamento. O BSW sugeriu a ideia de que a Saxônia-Anhalt fosse governada por um primeiro-ministro estadual apartidário, contando com maiorias variáveis, inclusive com votos da AfD.

Siegmund, no entanto, rejeitou a ideia do BSW como uma “confusão” e descartou quaisquer acordos com outros partidos que impedissem a AfD de cumprir sua promessa de mudança. “Se chegar ao ponto crítico, simplesmente haverá novas eleições”, disse ele.

Os conservadores de Merz afirmaram que explorariam negociações com outros partidos, embora isso possa exigir a união de partidos com agendas políticas muito diferentes. No estado vizinho da Turíngia, no leste da Alemanha, os conservadores formam um governo minoritário com a tolerância passiva do Partido de Esquerda.

Embora a Saxônia-Anhalt, que antes fazia parte da Alemanha Oriental governada pelos comunistas, seja um dos menores estados alemães, com uma população de pouco mais de 2 milhões de habitantes, o resultado ressalta o rápido avanço da AfD desde a sua criação, em 2013.

A AfD é agora o partido mais popular da Alemanha em nível nacional, com 28% das intenções de voto segundo uma pesquisa recente do INSA, confortavelmente à frente dos conservadores, que têm 20%.

Linha dura em relação à migração

Embora partidos de extrema direita tenham ganhado terreno em outras partes da Europa, o passado nazista da Alemanha contribuiu para uma relutância entre os partidos tradicionais em cooperar com a AfD.

A AfD rejeitou as acusações de extremismo, considerando-as alarmismo e um insulto aos milhões de apoiadores do partido.

Durante a campanha, a AfD aproveitou a crescente desilusão com os partidos tradicionais, que caracteriza como desgastados e desconectados da realidade, oferecendo, em vez disso, uma série de políticas de linha dura e uma visão nostálgica de um retorno a ruas mais limpas e seguras, além de promover o orgulho de ser alemão.

“É claro que precisamos de mudanças na Alemanha e na Europa Ocidental. E acredito que um sinal de partida está definitivamente partindo daqui — quer você goste ou não”, disse Antony Lee, um participante da festa eleitoral da AfD. “Sou pai, sou empresário e sei que as coisas não podem continuar assim na Alemanha.”

O programa da AfD inclui planos para orientar escolas e instituições culturais em direção ao que considera valores mais tradicionais, ao mesmo tempo em que restringe a imigração e reformula a radiodifusão pública. O partido quer que os filhos de refugiados sejam ensinados em turmas segregadas.

O partido pediu que as bandeiras arco-íris sejam proibidas nas escolas e que a bandeira nacional alemã seja hasteada todos os dias. O hino nacional seria cantado por alunos e funcionários em comemorações escolares. Outras propostas incluem patrulhas de cidadãos, mais ensino de russo nas escolas e a suspensão da construção de novos parques eólicos.

* (Reportagem adicional de Thomas Seythal, Cian Muenster, Christian Krämer, Andreas Rinke, Markus Wacket, Rene Wagner, Alexander Ratz, Francesca Landini, David Ljunggren)

* É proibida a repodução deste conteúdo.

Fonte: Agência Brasil

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