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Sergipe

Governo do Estado alcança marco histórico na saúde pública com transplantes de rim e fígado

Rafael Ramos
Última atualização: junho 30, 2026 2:45 pm
Rafael Ramos
8 Min Leitura
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Governo do Estado alcança marco histórico na saúde pública com transplantes de rim e fígado

Os processos de doação e transplante de órgãos têm avançado cada vez mais na rede de saúde pública estadual. Neste ano, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), deu início a realização inédita de transplantes de fígado e voltou a fazer, após 13 anos de inatividade, transplantes renais com doador falecido. 

Os primeiros transplantes hepáticos da história de Sergipe foram realizados, em maio, na Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (FBHC), por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Os avanços são resultado de um contrato firmado entre o governo estadual e a FBHC, com investimento anual superior a R$241 milhões, garantindo a realização de transplantes de rim e fígado e outros tipos de atendimentos de alta complexidade.

A retomada e implantação desses serviços representa mais esperança para pacientes renais e hepáticos crônicos, pois eles não precisarão mais se deslocar até outros estados para realizarem esse tipo de procedimento. Para o secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitermayer, a retomada dos transplantes renais com doador falecido e a realização inédita dos transplantes de fígado representam um marco histórico para a saúde pública sergipana. 

“Estamos consolidando uma nova realidade para os pacientes que aguardam por esses procedimentos. Agora, os sergipanos passam a ter acesso a transplantes de alta complexidade no próprio estado, próximos de suas famílias e da sua rede de apoio, reduzindo distâncias, custos e o desgaste emocional de buscar tratamento fora de Sergipe. Para os pacientes renais, especialmente, o transplante significa a possibilidade de deixar para trás a rotina exaustiva da hemodiálise e conquistar mais qualidade de vida”, ressaltou o secretário.

Desde o início do serviço na rede de saúde pública do Estado, em janeiro de 2026, já foram realizados 23 transplantes, sendo 20 procedimentos renais e três hepáticos. O coordenador da Central Estadual de Transplantes de Sergipe (CET/SE), Benito Fernandez, destacou que a retomada dos transplantes de rim em Sergipe representa uma nova chance de vida aos pacientes renais crônicos do estado que precisam fazer hemodiálise.

“O retorno dos transplantes de rim no estado é um importante marco para a saúde pública de Sergipe, pois possibilitou aos pacientes hipossuficientes a oportunidade de ter uma melhor qualidade de vida, deixando de depender da máquina de hemodiálise. Três vezes por semana, durante quatro horas, os pacientes renais crônicos dialíticos precisam de conexão com essa máquina para continuarem vivos. Com o transplante, não precisam mais disso. Agora, qualquer cidadão sergipano que precise desse tratamento pode utilizá-lo aqui mesmo em Sergipe”, pontuou Benito.

Uma nova chance de vida

O mecânico aracajuano Edson Lincoln de Albuquerque, de 63 anos, foi um dos primeiros pacientes a realizar transplante hepático no SUS sergipano. Para ele, o procedimento representa um renascimento. “Me sinto privilegiado e abençoado por Deus. Eu pedi a Deus que me desse outra chance de vida e ele me deu. Sou muito grato à família que aceitou a doação de órgãos, à equipe maravilhosa do Hospital de Cirurgia, onde me operei, e ao SUS. Já me sinto muito melhor, com mais disposição e fôlego. Mudei da água para o vinho”, declarou.

O carpinteiro Guilherme Gomes, 39, morador do município de Poço Redondo, está entre os pacientes beneficiados pela retomada dos transplantes renais com doador falecido na rede pública estadual de saúde, neste ano. Antes da volta do serviço em Sergipe, ele fazia hemodiálise há cerca de três anos e aguardava na fila para realizar o procedimento em Salvador, na Bahia. 

“Desde que eu fiz o transplante, minha vida já mudou muito. A maior felicidade é saber que não preciso mais depender da máquina de hemodiálise. Hoje, me sinto bem, estou urinando normalmente e vivendo uma sensação difícil até de explicar. Fiquei cerca de dois anos na fila do transplante. Primeiro estava cadastrado em Salvador, depois pedi transferência para Sergipe e, cerca de três meses após os exames aqui, consegui receber o órgão. Quando veio a ligação, a emoção foi muito grande. Eu já tinha sido chamado uma vez antes, mas não deu certo. Dessa vez, graças a Deus, aconteceu”, contou o carpinteiro.

Doação de órgãos

A doação de órgãos e tecidos depende da autorização familiar, mesmo que o desejo do doador tenha sido manifestado em vida. O protocolo tem início com a identificação de pacientes em estado neurocrítico, acompanhados pela Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE). Após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica, a família é consultada sobre a doação. Com a autorização do cônjuge ou de parentes de até segundo grau, a captação é realizada e os órgãos são disponibilizados pela Central Estadual de Transplantes de Sergipe (CET/SE) aos pacientes compatíveis, conforme as normas do Sistema Nacional de Transplantes e sob supervisão do Ministério Público. 

Dados da CET/SE mostram que entre janeiro e junho de 2026, Sergipe já contabilizou 31 doadores, sendo captados três corações, 21 fígados, 43 rins e 101 córneas. Em 2025, nesse mesmo período, o estado registrou 23 doadores. Comparando os primeiros meses de cada ano, nota-se um crescimento de 25,81% no número de doadores. Esse aumento deve-se ao avanço da conscientização e sensibilização sobre a importância da doação de órgãos, promovido através da atuação da CET e da OPO, que desenvolvem ações educativas direcionadas à população e capacitações sobre morte encefálica a profissionais de saúde. 

Contrato estratégico

O contrato com a Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC), com investimento anual superior a R$ 241 milhões, garante não apenas a realização de transplantes de rim e fígado, mas também cerca de 700 procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade por mês, totalizando aproximadamente 8.300 por ano, em especialidades como cirurgias cardíacas, neurológicas, vasculares, ortopédicas e oncológicas.

 Além disso, a unidade realiza cerca de 14.500 atendimentos ambulatoriais por mês, chegando a mais de 174 mil ao ano, incluindo consultas, exames e procedimentos. A estrutura permite que serviços estratégicos, como transplantes, sejam realizados no próprio estado, sem a necessidade de deslocamento dos pacientes para outras unidades da Federação.

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